No curso Entenda o design da sua empresa nós citamos o Designer de embalagens e a sua importância para que o produto tenha uma penetração no mercado.

Agora conheça um pouco mais sobre esta categoria de design.

Uma embalagem é um recipiente ou envoltura que armazena produtos temporariamente e serve principalmente para agrupar unidades de um produto, com objetivo de criar melhores condições para distribuição, transporte e armazenagem. Outras funções da embalagem são: proteger o conteúdo, informar sobre as condições de manipulação, exibir os requisitos legais como composição, ingredientes, etc. e fazer promoção do produto através de gráficos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Embalagem

Com o passar do tempo viram que uma embalagem poderia ser muito mais, poderia ser uma forma de divulgação do produto.

O design de embalagem é uma vertente do design de produto ou do design gráfico, cujo o objetivo é projetar a forma da própria embalagem, considerando problemas de ergonomia e estética tridimensional.

A embalagem é o primeiro contato entre o consumidor e o produto. Imagine uma gôndola de super mercado onde não apenas o seu produto esta exposto, mas uma centena de concorrentes disputam o espaço e a atenção do seu cliente. Como fazer com que ele olhe para você e não para outro?

Ter um design inovador que contraste com seus concorrentes e se conecte com os valores de seus consumidores, aumenta o potencial de vendas substancialmente.

Sucos Do Bem

Citamos como exemplo a empresa de Sucos Do Bem, que surgiu em 2006 com uma proposta colocar frutas em caixinhas divertidas.

Esta marca entra forte com um diferencial considerável em seus produtos, fazendo com que o design de suas embalagens se apresentassem de forma totalmente contrária a de seus concorrentes.

Enquanto empresas como a Coca Cola Company investiam em embalagens com cores variadas e imagens quase que realistas para seu produto Del Valle, a Sucos Do Bem vinha com uma proposta mais minimalista com cores sóbrias e ilustrações simples e um formato de embalagem mais contemporâneo, fazendo com que o efeito “gôndola” fosse percebido imediatamente.

Além disto, como sempre reforçamos no curso, hoje em dia não vendemos produtos e sim ideias, e a empresa prometia 92% de suco

natural em seu produto, arrebatando assim todo um nicho de mercado que consome produtos naturais e mais saudáveis.

Persona é o foco do seu produto.

Um dos recursos de branding que abordamos no curso é a construção da persona, que faz com o que todas as campanhas de design tenha um foco maior no público alvo.

Mas mesmo tendo um perfil de persona muito similar a do seu concorrente, se faz necessário executar toda uma estratégia que faça com que seu produto seja único e que atraia as atenções de seu cliente para ele.

Vejamos o exemplos das franchisings de chocolates finos a Cacau Show e a Cacau Noir, ambas tem um perfil de persona muito similares, mas a forma como se apresentam para o mercado são muito distintas e isto reflete diretamente no design de suas embalagens.

Por se tratarem de empresas de chocolates finos que visam o público ascendente, ou seja, não tem um poder aquisitivo alto mas consomem produtos com uma certa sofisticação, suas identidades visuais refletem esta persona, inclusive em suas embalagens.

Ambas usam logotipo com fontes sem serifa, já a Cacau Show usa o estilo de fonte Manuscrita, enquanto a Cacau Noir utiliza uma Sans Serif condensada.

A cor institucional da Cacau Show é um marrom com tonalidade de chocolate bem escura, já a Cacau Noir utilizou o preto. No curso módulo 05, O Poder de Influência das Cores, abordamos o significado inconsciente que estas cores projetam no publico alvo.

Suas embalagens, embora bem similares, possuem características bem distintas, enquanto que a Cacau Show desdobra os tons de marrom e aplica diferentes fontes Manuscrita, atacando num layout mais cheio de detalhes, a Cacau Noir mantém o seu preto institucional e aborda um design mais minimalista e sóbrio.

Ambos passam a ideia de elegância e sofisticação, mas cada qual procura atingir este objetivo com abordagens que os diferem.

Elementos de uma embalagem funcional:

Ao pensar em um projeto de embalagem, devemos nos atentar em certos elementos para que possamos ter uma conexão com nosso público alvo e que nosso produto receba o armazenamento funcional.

Proteger o produto

Não adiantar ter um embalagem que se conecte com seu cliente, se ela não preserva seu produto de maneira ideal.

A natureza de seu produto é que vai definir o material a ser utilizado na confecção de sua embalagem.

Sempre com um cuidado muito especial quando trabalhamos com produtos alimentícios.

No projeto o principal foco é a ergonomia necessária para que o produto esteja protegido não somente com seu armazenamento, mas com o transporte e outros manuseios ao longo do seu trajeto até as mãos de seu cliente.

Outro foco normalmente abordado é a utilização de matérias primas recicláveis ou reutilizáveis, esta é uma preocupação muito válida e a maiorias das empresas estão abordando esta estratégia para que passem a imagem de um branding em harmonia com o meio ambiente e a preservação e manutenção de recursos.

Uniformidade gráfica

No curso abordamos sobre a uniformidade gráfica e como isto auxilia na hora da fixação do seu produto na mente do seu público alvo, a necessidade de se ter elementos repetição aplicados em todas as mídias para que haja uma identificação direta do produto ou da empresa.

Isto com certeza deve ser utilizado no projeto de uma embalagem. Cada elemento disposto, deve remeter não somente a persona, mas a filosofia da empresa e os valores.

Ao ver os produtos e suas variações, o cliente deve ter a sensação de que eles pertencem ao mesmo contexto, que um é o complemento do outro e pertencem a “mesma família”.

Tipografia adequada

Ao definir o tom e a voz de um produto, a tipografia deve acompanhar esta diretriz e esta deve ser aplicada na embalagem

Fontes são uns dos recursos mais antigos do design. Uma fonte bem aplicada, acaba por dar estilo a um projeto.

Fontes mais clássicas, remontam a produtos mais tradicionais ou que requer um pouco de elegância ou sofisticação. Já produtos mais vanguardistas é usual aplicar fontes mais contemporâneas.

Atualmente existe um estilo de design totalmente voltado para aplicação de fontes o Lettering.

No módulo 06 do curso, Pensando em Tipos, abordamos as principais aplicações das famílias tipográficas para determinado nichos de mercados.

Cores

Psicologia das cores é um estudo muito antigo, que define o tipo de reação que temos ao ser exposto a uma determinada cor.

Além dos fatores psicológicos, ao utilizar este recurso, devemos também levar em consideração a cultura e os valores inerentes a sociedade ao qual estamos desenvolvendo o projeto.

Este recurso é amplamente utilizado em campanhas de design e isto não poderia descartar o projeto de uma embalagem.

As cores devem obedecer a natureza do produto, a uniformidade gráfica da campanha, tom e a voz e os valores da persona.

Uma cor bem aplicada a uma embalagem a destaca das demais.

Imagens/Ilustrações

Já dizia o velho ditado, “uma imagem fala mais do que mil palavras”, e esta imagem deve estar diretamente relacionada com o produto.

Seja uma imagem ou uma ilustração, o cliente deve identificar o produto imediatamente.

É usual ter o snapshot do produto com certo destaque na embalagem, para que o público alvo tenha facilidade ao encontrá-lo nas prateleiras.

O estilo de foto normalmente utilizado é o lifestyle dando a embalagem um recurso de empatia direta com a utilização pretendida para o produto.

Ergonomia

Ergonomia no design é o estudo que define a interação entre o ser humano e o produto. Seja ela da forma estética ou mecânica.

Mais que ter uma embalagem impactante, ela tem de proporcionar facilidade ao seu manuseio e proteção ao seu conteúdo.

Uma ergonomia original e funcional aumenta exponencialmente o poder de compra do produto, agregando valor que se reflete no preço final.

Informações da embalagem

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ANVISA tem regras bem específicas com relação as informações obrigatórias em uma embalagem.

Abordar este assunto por completo demandaria um outro artigo somente com este tema, mas os tópicos mais comuns são:

  • Denominação de venda;
  • Lista de ingredientes;
  • Conteúdo líquido;
  • Indicação da origem;
  • Nome ou razão social e endereço do fabricante / importador;
  • Lote e Prazo de validade;
  • Instruções sobre o preparo e uso, quando necessário.

Maiores detalhes basta acessar o botão abaixo.

Agora que mostramos a importância de uma embalagem funcional, como tudo na linguagem do design, devemos ver este item como um investimento e não como um gasto. Um bom projeto de embalagem proporciona um retorno significativo ao seu produto, agregando a ele valor intelectual, social e ergonômico.

Mini currículo do instrutor

Carlos Eduardo (Cadunico)

Designer graduado pela Universidade Veiga de Almeida, há mais de 15 anos utiliza somente software livre em suas criações. Ministrou palestras, minicursos e cursos sobre recursos de softwares gráficos e produção gráfica em diversas instituições e eventos de renome no software livre como: UNESP, CONSEGI, LATINOWARE, FÓRUM DE SOFTWARE LIVRE DE DUQUE DE CAXIAS, PONTÃO DA ECO – UFRJ, MARATONA DE SOFTWARE LIVRE DE VOLTA REDONDA, RIO +20, entre outros. No GNUGRAF, o primeiro evento de computação gráfica com software livre do Brasil (http://gnugraf.org/), é o idealizador, coordenador, responsável pela arte gráfica, por selecionar os profissionais que ministraram palestras e oficinas no evento e pela divulgação nos meios digitais. Trabalhou no IMPA no departamento de captura de movimento onde foi responsável pela migração do setor para Blender. Nas horas vagas é o criador das capas da revista Espírito Livre (http://www.revista.espiritolivre.org/) desde sua 8ª edição.
Protagonista do programa CECID Cena Aberta (http://www.riosoft.org.br/info/33/cecid-cena-aberta) Um projeto do Centro Experimental de Conteúdos Interativos Digitais, onde é ensinado técnicas de captura, edição e finalização de vídeos para criação de conteúdo multimídia utilizando software livre. Até Janeiro de 2017 foi consultor em software livre da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia do município de Niterói e diretor de arte do Núcleo de Produção Digital do Estado do Rio de Janeiro (NPD). 2018 foi um dos responsáveis pela migração da ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial UERJ) para Software Livre.

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